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A gente colhe o que planta

Agricultura sustentável: alimentando o presente para garantir o futuro

A agropecuária brasileira é uma das mais sustentáveis do mundo e um exemplo para os outros países.
Aqui, você vai conhecer um pouco dessa história. E, navegando pelo site, as soluções que vêm transformando o planeta.

Saiba + sobre Agropecuária

Ciência, agropecuária e sustentabilidade

Os desafios mundiais para o presente e o futuro são inúmeros. Alimentar a população crescente é um deles. Hoje, somos 7 bilhões de pessoas no planeta e poderemos ser 10 bilhões em 40 anos. Outros desafios são atender também às demandas da sociedade por vestuário, transporte, moradia. Ou seja, o mundo precisará ampliar a produção de alimentos, de fibras, de biocombustíveis. Precisará enfrentar desafios para ter uma alimentação mais saudável, mais nutritiva, mais segura e para erradicar a pobreza. Mas para isso ser possível, o mundo precisará ser sustentável. Precisará continuar produzindo de forma a não comprometer os recursos naturais. Precisará trabalhar a agropecuária, entre outras atividades, com sustentabilidade.

E o que significa ser sustentável? Significa a capacidade do homem em interagir com o mundo, conservando o meio ambiente, ou seja, sem comprometer a capacidade das gerações futuras suprirem suas necessidades. Ser sustentável significa sustentar-se, equilibrar-se, manter-se. E para que qualquer atividade seja considerada sustentável, ela deve ser ambientalmente correta, economicamente viável e socialmente justa.

Aqui, você vai conhecer algumas soluções e tecnologias que possibilitam uma agricultura mais sustentável. E conhecer as alternativas para a sustentabilidade do campo significa poder exigir mudanças e melhorias. Significa poder fazer escolhas. Hoje já se faz muito, mas precisamos fazer mais. É preciso trabalhar com a realidade da escassez dos recursos naturais para então poder enfrentar o grande desafio do século: crescer usando menos, alimentando a todos e apontando caminhos para novos modelos de desenvolvimento e apoiando uma economia cada vez mais verde.

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Use o mouse ou as setas do teclado para navegar Conheça as soluções sustentáveis

Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é um dos processos naturais mais importantes do planeta, ao lado da fotossíntese. É realizada por bactérias presentes no solo, ou adicionadas via inoculantes, que se associam às plantas, geralmente às raízes, captam e transformam o nitrogênio do ar. Possibilita a troca de nutrientes e diminui a necessidade de adubação química nitrogenada. Essa tecnologia, que envolve o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio, gera maior rendimento na produção, ajuda a recuperar áreas degradadas, melhora a fertilidade do solo e a qualidade da matéria orgânica, reduz o uso de insumos industriais na agricultura e contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Hoje, 100% das plantações de soja no Brasil se beneficiam da FBN. E, com mais pesquisa e maior adoção pelo setor produtivo, até 2020 é possível reduzir a fertilização química nitrogenada em 80% a 100% no feijoeiro, em até 100% para diversas leguminosas de grãos e forrageiras, até 50% na cana-de-açúcar, até 40% no milho e trigo e até 20% no arroz.

Tratamento de 
 resíduos animais

Os sistemas de produção precisam suprir a crescente demanda por produtos de origem animal, como carne, leite, ovos e couro. E mesmo que a pecuária dê conta desse consumo, há, entre outras, uma importante questão ambiental a ser resolvida: o que fazer com os resíduos da produção animal, potenciais poluidores de solos, rios e lagos e causadores de desequilíbrios climáticos?

Soluções vêm sendo desenvolvidas e adotadas para que os nutrientes presentes nos resíduos sejam reciclados para seu uso agrícola. O tratamento da matéria orgânica produz resultados como o biogás para geração de energia e o biofertilizante para adubação das plantações, podendo substituir os fertilizantes químicos.

Esse processo possibilita melhoria das condições ambientais das propriedades rurais, economia com energia elétrica e mais segurança alimentar, pois reduz o uso de fertilizantes químicos, substituídos pelo adubo orgânico. E ainda contribui para a redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Agroenergia

Os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, são hoje a base do modelo energético da maioria dos países. Porém, esses recursos, além de não serem renováveis, causam danos ao meio ambiente e são cada vez mais difíceis de serem explorados, já que são finitos. Daí a importância da agroenergia como alternativa, principalmente, para reduzir a dependência desses combustíveis.

A agroenergia trata da fabricação e uso dos diversos tipos de biocombustíveis que têm origem em atividades no meio rural, como a produção agrícola, a pecuária e a florestal. São eles o etanol, o biodiesel, o biogás e outros derivados de biomassa e de resíduos da produção, que podem também gerar bioeletricidade. A principal vantagem da agroenergia, em termos mundiais, é a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), já que, diferentemente do petróleo e do carvão mineral, as matérias-primas dos biocombustíveis consomem e retêm gás carbônico.

Sistema Plantio Direto (SPD)

O Sistema Plantio Direto (SPD) é um dos mais eficientes e sustentáveis sistemas de produção agropecuária em adoção na atualidade. É implantado a partir de três princípios: não arar ou gradear o solo antes do plantio, mantê-lo coberto com restos vegetais ou plantas vivas durante o ano e promover a rotação das culturas plantadas. Entre outros benefícios, minimiza a perda de solo pela erosão, possibilita a conservação e a melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo, aumentando a sua matéria orgânica, reduz a necessidade de mecanização e o gasto de energia e favorece a redução de custos de produção. Permite ainda a produção de água limpa, uma vez que o solo protegido favorece a infiltração e a recomposição do lençol freático, um importante serviço ambiental.

O Brasil é líder em produção agrícola com esse sistema, graças ao empenho, ao empreendedorismo e à capacidade de inovação do agricultor brasileiro, que, com apoio da pesquisa e assistência técnica, promoveu uma expansão da adoção do sistema em todos os biomas. Por exemplo, esse sistema já é adotado em mais de 50% das lavouras de grãos no Brasil. E o objetivo é ampliar seu uso, que traz impactos positivos para produtores rurais de todo o País, em termos de aumento na produtividade, com ganhos ambientais, sociais e econômicos.

Florestas

O ser humano depende das florestas. Seja pelos produtos que ela fornece, como madeira, papel, energia e alimento, seja por sua importância na conservação da água, na proteção do solo, no sequestro de carbono ou na manutenção da biodiversidade, hoje conhecidos como serviços ambientais e ecossistêmicos. O uso sustentável das florestas é um grande desafio para o mundo e também para o Brasil, que possui a segunda maior área florestal do planeta e a maior área coberta com floresta tropical.

Por meio da pesquisa e adoção do manejo florestal sustentável (MFS), o País tem dado grandes passos para modificar a exploração tradicional e predatória. São procedimentos técnicos e de gestão que visam a geração de renda para o produtor com impactos positivos no meio ambiente.

Uma alternativa para a sustentabilidade das florestas nativas é a das florestas plantadas, que trazem benefícios ecológicos, evitando a pressão sobre florestas naturais e gerando empregos: mais de 2 milhões, em dados de 2008. Em 10 anos, o Brasil pode mais do que duplicar sua área de florestas plantadas, que hoje ocupa menos de 1% do território nacional, fortalecendo o foco do seu desenvolvimento numa economia verde e contribuindo para a melhoria do ambiente global e para compromissos nacionais relacionados ao sequestro de carbono.

Inclusão 
 produtiva e social

O IBGE mostra que, em 2010, 8,5% da população brasileira - cerca de 16 milhões de pessoas - viviam em condições de extrema pobreza. Dessas, 53,3% estavam nos centros urbanos e 46,7% no meio rural. Em 2009, somavam-se mais de 30% dos domicílios com insegurança alimentar - quase 68 milhões de pessoas -, 5% dos quais em estágio grave. O desafio para erradicar a pobreza é retirar essa população de tal condição, por meio de inclusão produtiva e social.

A agricultura familiar é uma alternativa, pois é instrumento de desenvolvimento socioeconômico. Pelo Censo Agropecuário Brasileiro de 2006, a agricultura familiar abrangia 84,4% do campo, absorvendo 74,4% da mão de obra - cerca de 12 milhões de pessoas -, com uma produção que abastece o mercado interno de alimentos e de matérias-primas. A pesquisa agropecuária busca alternativas para contribuir com a erradicação da pobreza por meio do desenvolvimento de produtos e processos para pequenos produtores, além de estratégias e projetos de políticas públicas. São inovações para melhorar as condições de produção, ganho de escala e geração de renda na agricultura familiar.

Sistemas de Produção Sustentável

A agricultura brasileira avançou de forma segura na direção da sustentabilidade ao longo das últimas décadas. Entre as alternativas de Sistemas de Produção Sustentável destacam-se a Agricultura Orgânica, Produção Integrada Agropecuária, Aquicultura, Produção Agroflorestal e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), além de várias outras.

O Brasil é o 4º maior produtor em Agricultura Orgânica, que vem crescendo 20% ao ano. Prioriza o uso de recursos naturais renováveis disponíveis localmente e faz uso de tecnologias que visem à conservação ambiental e da biodiversidade. Com a Produção Integrada (PI-Brasil), todas as etapas produtivas são acompanhadas para assegurar o processo sustentável. Da colheita até o comércio, os produtos são rastreados, de forma a preservar seus nutrientes, qualidade e segurança para a saúde. O resultado disso é a certificação PI-Brasil. Já na Produção Aquícola, ou Aquicultura, trabalha-se a criação racional e controlada de organismos aquáticos, como peixes, tartarugas, camarões, mexilhões e outros, de forma a não comprometer a biodiversidade e os recursos naturais. Para a FAO, a aquicultura é o único tipo de produção de alimentos que cresce mais que a população mundial. Hoje, já abastece 50% do mercado de pescado no mundo.

Integração Lavoura- 
 Pecuária-Floresta (iLPF)

A integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) é uma das mais importantes estratégias para uma produção agropecuária sustentável, pois possibilita que as atividades agrícolas, pecuárias e florestais sejam integradas na mesma área.

Os benefícios dessa tecnologia são a redução da pressão por desmatamento, a diversificação na renda do produtor rural e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A iLPF gera ainda melhorias no solo, equilibra a utilização dos recursos naturais e mantém a qualidade da água.

Estima-se que com a adoção da tecnologia é possível duplicar a produção de grãos e de produtos florestais e triplicar a produção pecuária nos próximos 20 anos, apenas com a recuperação de pastagens degradadas e sem a necessidade de desmatamento. Com seu uso, ganham a economia, o produtor e o planeta.

Água e solos

Danos causados ao meio ambiente são consequências de desmatamento, queimadas, redução da biodiversidade, emissão de gases de efeito estufa, mudanças climáticas, uso indiscriminado de agroquímicos, degradação do solo e diminuição da disponibilidade e poluição da água. Para mudar esse cenário, alternativas sustentáveis buscam melhorar a forma de manejar o solo e a água. Com essa preocupação, soluções são estudadas e implantadas pela pesquisa e pelo setor produtivo, com o objetivo de inovar, melhorar, modernizar e trabalhar o campo de forma a garantir a manutenção e utilização dos recursos naturais indefinidamente.

As soluções tecnológicas amenizam os impactos negativos das atividades agropecuárias. São práticas que mantém os atributos físicos, químicos e biológicos do solo e possibilitam a manutenção da água limpa e abundante. Permitem ainda que sejam desenvolvidas atividades agropecuárias mais produtivas, sem necessidade de expansão para novas áreas ou de degradação dos recursos naturais.

Biodiversidade, 
 Agrobiodiversidade e 
 Agroecologia

Entre 1976 e 2010, a produção brasileira de grãos cresceu 235%, enquanto a área usada aumentou somente 32%. Isso é avanço pela produtividade, que permitiu ampliar a produção de alimentos com uso mais racional dos recursos naturais. Usar a biodiversidade adequadamente, aproveitando sua capacidade de gerar produtos e serviços, é produzir considerando a conservação e o manejo de espécies de plantas, animais e microrganismos nativos.

A agrobiodiversidade, interação entre ambiente, recursos genéticos e sistemas de gestão e práticas, resulta em formas de uso da terra e água para a produção. A agroecologia estuda as funções e interações dos agroecossistemas, da biodiversidade funcional, dos recursos naturais e dos saberes locais. Sistemas agroecológicos relacionam-se com a agrobiodiversidade, em um processo de interações entre aspectos socioculturais, manejo ecológico e integrado.

A pesquisa vem avançando e buscando aliar sustentabilidade na produção agrícola com participação das comunidades rurais. Hoje são desenvolvidas plantas mais tolerantes aos ambientes e climas brasileiros, como o semiárido, onde certas plantações podem crescer com menos água; são desenvolvidas sementes para sistemas de baixo custo e que precisam menos fertilizantes químicos e defensivos para controle de pragas. Somado a isso, pela maior produtividade, gera-se mais renda. Essas são estratégias para manutenção e uso do nosso capital natural e social.

Gestão ambiental e Territorial

O objetivo da Gestão Ambiental e Territorial é determinar o local exato, em todas as regiões brasileiras, onde cada atividade agrícola pode expressar sua máxima capacidade produtiva de maneira sustentável. Trata-se de uma grande ação gestora do uso dos recursos naturais, por meio de geotecnologias, produtos e serviços que subsidiem a formulação de políticas públicas sobre a utilização do território visando à sustentabilidade ambiental, social e econômica. Os resultados destas análises são, entre outros, os chamados Zoneamentos, que podem ser classificados em Agroecológicos (ZAE), de Risco Climático (ZARC) e Ecológicos e Econômicos (ZEE).

Todos os municípios do Brasil possuem indicações do Zoneamento Agrícola. Os benefícios são inúmeros, como melhor orientação na hora do plantio, distribuição regional do crédito rural em função das datas de plantio, redução das perdas agrícolas e aumento da produtividade de forma indireta. Tudo isso impacta a economia brasileira e, ao mesmo tempo, mostra, por meio de métodos científicos conhecidos, que é possível aumentar a produtividade das culturas sem degradação ambiental.

Recuperação de 
 pastagens degradadas

O Brasil tem aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, dos quais mais da metade estão em algum estágio de degradação, sendo boa parte já em estágio avançado. A recuperação dessas áreas é fundamental para a sustentabilidade agropecuária e florestal. Existem soluções técnicas para reverter este quadro, como a integração de sistemas produtivos.

Os benefícios são inúmeros. Além do aumento na produção animal, há o adicional da produção de grãos, fibra e biocombustíveis com diminuição de emissões de gases de efeito estufa (GEE) pela redução na idade de abate dos animais, fixação de carbono via fotossíntese e matéria orgânica no solo. Esses processos melhoram o rendimento total da terra e ainda ajudam na conservação do solo e água, pois são necessárias várias ações benéficas de manejo para o sistema, como adubação, sombreamento, manutenção de matéria orgânica e biodiversidade no solo. E tudo isso sem necessidade de abertura de novas áreas para produção.

Embrapa
no mundo

A Embrapa trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação para uma agricultura sustentável no Brasil e no mundo. Por meio da cooperação técnica com a África e as Américas Central e Latina, levam-se conhecimentos e práticas de sucesso de nossos campos para possibilitar o crescimento e o fortalecimento da agropecuária em diversos países. Pela cooperação científica por meio dos escritórios virtuais, conhecidos como Labex, com os Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra e Coreia do Sul, já foi possível desenvolver e adaptar soluções de grande impacto para a realidade brasileira. São soluções que melhoram a qualidade e a produtividade da agricultura, apoiando a segurança alimentar a produção de energia renovável.

A parceria com diversos países acontece para que seja possível encontrar soluções para desafios como reduzir a fome, reduzir disparidades econômicas e sociais, avançar no conhecimento e aumentar a competitividade em mercados mais exigentes e para um mundo global.

Clique aqui e veja onde a Embrapa atua com Cooperação Científica e Técnica.

um olhar  
 para o futuro

Se nos últimos 40 anos o Brasil deixou de importar alimento e se tornou um dos maiores produtores e exportadores mundiais, o desafio agora será buscar soluções que combinem o aumento da produção sustentável de alimentos, de fibras e de energia, em um cenário de mudanças climáticas.

Políticas públicas, programas de governo e desenvolvimento científico e tecnológico devem atuar integrados para ampliar a adoção de práticas que assegurem a competitividade brasileira. O País tem defendido uma “economia verde social”, que, além da conservação ambiental, garanta distribuição de renda e acesso à saúde e à educação.

Desafios como reduzir as emissões de carbono na agropecuária e combater o processo de desertificação no semiárido já são enfrentados. Com a adoção de tecnologias e de políticas públicas inovadoras, os sistemas agropecuários podem também prestar serviços ambientais. Ao mesmo tempo, surgem outros desafios e perspectivas, como a necessidade de acesso e uso de tecnologias avançadas em áreas como biotecnologia, nanotecnologia e tecnologia da Informação, e avanços gerenciais que permitam menores custos, qualificação de processos e novas formas de integração entre atores e cadeias produtivas. Uma nova bioeconomia abre espaços para as bioindústrias, com possibilidades de inúmeros produtos e processos.

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